sábado, 17 de setembro de 2011

MISSÃO QUE PURIFICA

Seminarista Francisco Santos
Seminarista da Diocese de Santarém

Natal com as crianças do São Félix - Santarém
 “Vê, isto tocou os teus lábios, a tua iniqüidade está removida, o teu pecado está perdoado.” (Is 6, 7).
            Aqui percebemos o que aconteceu com o Isaias antes de ser enviado para a missão. Ele não poderia falar da Palavra de Deus com o coração impuro, por isso foi necessário ser purificado com as brasas do altar. Logo em seguida, o profeta aceita o apelo de Deus com a resposta: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.
            Assim como a experiência de Isaias, somos chamados para uma missão. Nossa missão é primeiramente sair de nós mesmos, do nosso egoísmo e aceitar a Cristo. Afinal, somos batizados para participarmos da sua vida. E é Ele mesmo quem nos chama: “Vem e segue-me”. E depois: “Ide”.
Viagens Missionárias
pelo Rio Paranaquara
            O ato de purificação pode ser um pouco doloroso. É como o ouro em estado bruto que precisa ser levado ao fogo até se tornar um metal valioso e brilhante, é também como o diamante que precisa ser lapidado, etc. Na missão, precisamos também ser queimados e lapidados, purificados, afim de que a Palavra de Deus possa brilhar quando pronunciadas por nossas bocas.
Missão no Chicáia com Padre Tarcísio
Somos queimados e lapidados quando aceitamos a missão, não nos colocando como o centro, mas Jesus. “E tudo o que fizerdes de palavra e ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, por ele dando graças a Deus, o Pai”. (Col 3, 17). Também somos purificados e purificamos quando acolhemos aquelas pessoas necessitadas de um conforto espiritual, neste caso, nós, que já somos purificados, purificamos com nossos gestos de caridade para com aquela pessoa. Assim como Jesus se ofereceu em sacrifício para a purificação da Igreja (cf. Ef 5 26), também nós, purificados em Cristo devemos nos sacrificar para a purificação de quem necessita da graça.
Missão no Chicáia
 em Santarém
            É bonito perceber Jeremias quando diz: “Tu me seduziste, Javé, e eu, me deixei seduzir” (20 7). Devemos deixar que ele nos purifique para podermos pronunciar sua palavra mesmo diante dos desafios que a nós se apresentam na missão.
O discípulo missionário de Jesus Cristo, que passa pela experiência de se deixar ser seduzido pelo Senhor, demonstra uma grande alegria porque é enviado com o tesouro do Evangelho. E ainda: “Ser cristão não é uma carga, mas um dom: Deus Pai nos abençoou em Jesus Cristo seu Filho, Salvador do mundo”. (cf. Dap 1.2, n 28).
Na Diocese de Santarém, temos a alegria de participar todos os anos de uma Experiência Missionária com seminaristas de diversas dioceses do Brasil. Muitos dos que participam, voltam para suas dioceses felizes, purificados e motivados com esta experiência.
“Agradeço a Deus por esta experiência missionária que fortalece a minha consagração a Deus. Obrigada pelos missionários seminaristas com os quais partilhamos e comungamos esta missão”, é o que irmã Maria das Graças partilha após a experiência em Santarém. “Posso dizer que esta missão transformou minha vida! Sim, os primeiros transformados devemos ser nós os missionários, pois fomos tocados pela realidade do outro e isto nos impulsiona a uma nova experiência de Deus. 
Experiência Missionária
 em Santarém
Saio da missão com um novo sabor da vida e com o gostinho de quero mais, e em todos os momentos agradeço a Deus por ter permitido fazer uma experiência igual a esta. Ele me trouxe para me encontrar com seu amor.” Afirmou o seminarista Cleiton Willian da Diocese de Taubaté, São Paulo. O seminarista Salvador Antonio da Diocese de Goiás partilha: “Muitas luzes se “acenderam” durante essa experiência missionária, e estas não se apagarão, minha missão é fortalecê-la e expandi-la para minha diocese e seminário. O ardor missionário é um presente de Deus, presente este que saboreio com todo o carinho possível. Assim como estas luzes, certos questionamentos nos fazem pensar sobre a vida e missão na Amazônia”. Padre Davenir da Diocese de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro também escreve “Para mim, foi uma experiência bem diferente daquela que faço aqui em Nova Iguaçu, mas que me encantou muito, principalmente o testemunho e a fé do povo simples daqueles lugares onde estive... confesso que voltei mais apaixonado por Jesus e pela missão”. “Esta experiência missionária me ajuda alimentar o ardente desejo de ser um missionário padre diocesano que ame, escute e caminhe com o povo e possa dizer sempre ao Senhor da messe: Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6, 8c), partilha o seminarista Hipólito da Diocese de Caicó – RN.
Na Missão Diocesana de Conceição do Araguaia - II semestre
Pedimos a Deus que nos conceda a graça de responder sim ao seu chamado, nos purificando a cada dia por meio da missão para servirmos ainda mais como verdadeiros discípulos missionários de Jesus Cristo, vosso Filho.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Exaltação da Santa Cruz


                         Por: Pe. Candido Ap. Mariano
Pároco da Paróquia Santa Cruz e São Dimas - Piracicaba SP

A Festa da Exaltação da Santa Cruz, que celebramos hoje, 14 de setembro, é a Festa da Exaltação do Cristo vencedor. Para nós cristãos, a cruz é o maior símbolo de nossa fé, cujos traços nós nos persignamos desde o início do dia, quando levantamos, até o fim da noite ao deitarmos. Quando somos apresentados à comunidade cristã, na cerimônia batismal, o primeiro sinal de acolhida é o sinal da cruz traçado em nossa fronte pelo padre, pais e padrinhos, sinalando-nos para sempre com Cristo.


A Cruz recorda o Cristo crucificado, o seu sacrifício, o seu martírio que nos trouxe a salvação. Assim sendo, a Igreja há muito tempo passou a celebrar, exaltar e venerar a Cruz, inclusive como símbolo da árvore da vida que se contrapõe à árvore do pecado no paraíso, quando a serpente do paraíso trouxe a morte, a infelicidade a este mundo, incitando os pais a provarem o fruto da árvore proibida. (Gn 3,17-19)



No deserto, a serpente também provocou a morte dos filhos de Israel, que reclamavam contra Deus e contra Moisés (Nm 21,4-6). Arrependendo-se do seu pecado, o povo pediu a Moisés que intercedesse junto ao Senhor para livrá-los das serpentes. Assim, o Senhor, com sua bondade infinita, ordenou a Moisés que erguesse no centro do acampamento um poste de madeira com uma serpente de bronze pendurada no alto, dizendo que todo aquele que dirigisse seu olhar para a serpente de bronze se curaria. (Nm 21,8-9)



Esses símbolos do passado, muito conhecidos pelo povo (serpente, árvore, pecado, morte), nos dizem que na Festa da Exaltação da Santa Cruz, no lugar da serpente de bronze pendurado no alto de um poste de madeira, encontramos o próprio Jesus levantado no lenho da Cruz. Se o pecado e a morte tiveram sua entrada neste mundo através do demônio (serpente do paraíso) e do deserto, a bênção, a salvação e a vida eterna vêm do Cristo levantado no alto da Cruz, de onde Ele atrai para si os olhares de toda a humanidade. Assim, a Igreja canta na Liturgia Eucarística de Festa: “Santa Cruz adorável, de onde a vida brotou, nós, por Ti redimidos, te cantamos louvor!” 



A Cruz não é uma divindade, um ídolo feito de madeira, barro ou bronze, mas sim, santa e sagrada, onde pendeu o Salvador do mundo. Traçando o sinal da cruz em nossa fronte, a todo o momento nós louvamos e bendizemos a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, agradecendo o tão grande bem e amor que, pela CRUZ, o Senhor continua a derramar sobre nós.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

VIVER É SUPERAR-SE


Nossa alegria supera nossa tristeza,
Nosso consolo supera nossa dor,
Nossa fé supera nossa dúvida,
Nossa esperança supera nosso desespero,
Nosso entusiasmo supera nosso desânimo,
Nossa certeza supera nossa expectativa,
Nosso sucesso supera nosso fracasso,
Nossa qualidade supera nosso defeito,
Nossa coragem supera nosso medo,
Nossa força supera nossa fraqueza,
Nossa perseverança supera nossa inconstância,
Nossa paz supera nossa guerra,
Nossa tolerância supera nosso preconceito,
Nossa luz supera nossa escuridão,
Nossa voz supera nosso silêncio,
Nosso diálogo supera nosso isolamento,
Nossa paciência supera nossa impaciência,
Nosso descanso supera nosso cansaço,
Nosso conhecimento supera nossa ignorância,
Nossa sabedoria supera nossa tolice,
Nossa concentração supera nossa falta de atenção,
Nossa música supera nossa falta de comunicação,
Nossa responsabilidade supera nossa irresponsabilidade,
Nosso compromisso supera nossa falta de compromisso,
Nossa iniciativa supera nossas fronteiras,
Nossa participação supera nossa omissão,
Nossa vitória supera nossa derrota,
Nossa ação supera nosso tédio,
Nosso bom humor supera nosso mau humor,
Nosso ganho supera nossa perda,
Nossa resistência supera nossa fragilidade,
Nosso sorriso supera nosso choro,
Nossa amizade supera nossa solidão,
Nossa gratidão supera nossa ingratidão,
Nossa riqueza supera nossa pobreza,
Nossa partilha supera nosso egoísmo,
Nosso perdão supera nosso orgulho,
Nossa humildade supera nossa arrogância,
Nossa simplicidade supera nossa vaidade,
Nosso sonho supera nossa realidade...

Nosso amor a Deus e ao próximo
nos faz superar tudo,
preencher nosso vazio
e superar nossa autossuficiência.

Pois todo aquele que pede, recebe;
aquele que procura, acha;
e ao que bater, se lhe abrirá.
Lucas 11,10

Mas, em todas essas coisas,
somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou:
JESUS.
Romanos 8,37

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Natividade de Nossa Senhora

“Exultemos de alegria no Senhor, ao celebrar o nascimento da Virgem Santa Maria, da qual nasceu o sol da justiça, Cristo nosso Deus.”
(Da Missa da Natividade da Virgem Maria)

A nossa Mãe é modelo de correspondência à graça e, ao contemplarmos a sua vida, o Senhor dar-nos-á luz para que saibamos divinizar a nossa existência vulgar. Durante o ano, quando celebramos as festas marianas, e cada dia em várias ocasiões, nós, os cristãos, pensamos muitas vezes na Virgem. Se aproveitamos esses instantes, imaginando como se comportaria a nossa Mãe nas tarefas que temos de realizar, iremos aprendendo a pouco e pouco, até que acabaremos por nos parecermos com Ela, como os filhos se parecem com a sua mãe.

Imitar, em primeiro lugar, o seu amor. A caridade não se limita a sentimentos: há-de estar presente nas palavras e, sobretudo, nas obras. A Virgem não só disse fiat, mas também cumpriu essa decisão firme e irrevogável a todo o momento. Assim, também nós, quando o amor de Deus nos ferir e soubermos o que Ele quer, devemos comprometer-nos a ser fiéis, leais, mas a sê-lo efectivamente. Porque nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos Céus, esse entrará no reino dos Céus.

Temos de imitar a sua natural e sobrenatural elegância. Ela é uma criatura privilegiada na História da Salvação, porque em Maria o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Foi testemunha delicada, que soube passar inadvertida; não foi amiga de receber louvores, pois não ambicionou a sua própria glória. Maria assiste aos mistérios da infância de seu Filho, mistérios, se assim se pode dizer, cheios de normalidade; mas à hora dos grandes milagres e das aclamações das massas desaparece. Em Jerusalém, quando Cristo - montado sobre um jumentinho - é vitoriado como Rei, não está Maria. Mas reaparece junto da Cruz, quando todos fogem. Este modo de se comportar tem o sabor, sem qualquer afectação, da grandeza, da profundidade, da santidade da sua alma!

Procuremos aprender, seguindo também o seu exemplo de obediência a Deus, numa delicada combinação de submissão e de fidalguia. Em Maria, nada existe da atitude das virgens néscias, que obedecem, sim, mas como insensatas. Nossa Senhora ouve com atenção o que Deus quer, pondera aquilo que não entende, pergunta o que não sabe. Imediatamente a seguir, entrega-se sem reservas ao cumprimento da vontade divina: eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa palavra. Vedes esta maravilha? Santa Maria, mestra de toda a nossa conduta, ensina-nos agora que a obediência a Deus não é servilismo, não subjuga a consciência, pois move-nos interiormente a descobrirmos a liberdade dos filhos de Deus



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ter fé é bom para a Pátria


Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo - SP

A celebração do Dia da Pátria, no aniversário da independência do Brasil, oferece-nos a ocasião para algumas considerações. Como pessoas de fé estamos conscientes de que não temos aqui cidade permanente, mas estamos a caminho da pátria que há de vir (cf Hb 13,14); mas temos também clara consciência de sermos cidadãos deste mundo, com uma pátria que nos acolhe e serve de casa; somos membros de um povo, com o qual nos identificamos e para cujo bem estamos – e devemos estar – inteiramente comprometidos.
É bem verdade que a globalização vai trazendo à tona, sempre mais, a noção da pertença a uma família humana grande e única, com a qual nos devemos sentir ligados e solidários. A própria Igreja, na sua antropologia e no seu magistério social, vai divulgando esta consciência e não poderia ser diferente. Cremos num único Deus e Pai, que a todos quer bem, como a filhos, e quer que vivam como irmãos. Um povo não pode ser indiferente aos outros, nem deixar de se interessar pelo bem e pela sorte sempre mais compartilhada por todos os membros da comunidade humana. Limites territoriais, tradições culturais, diferenças raciais, heranças históricas e interesses econômicos, em vez de contrapostos, deveriam ser cada vez mais conjugados e harmonizados.
A recente Jornada Mundial da Juventude, em Madrid, com a participação de jovens de 170 países diferentes, convivendo em harmonia e solidariedade, e compartilhando os mesmos princípios essenciais, mostrou que o sonho de uma família humana integrada e vivendo em paz não é irreal. A impressão que se tinha, é que todos fossem irmãos, filhos de uma única grande família, onde as diferenças não dividiam, mas somavam e enriqueciam.
Isso mesmo também já pode acontecer em nosso Brasil? Somos um país imenso, com uma variedade muito grande de etnias, tradições culturais, situações locais e regionais, com riqueza e pobreza que se mesclam por toda parte e desníveis sociais ainda imensos, apesar do esforço que já se faz para a superação da miséria e para possibilitar a ascensão social da grande massa de pobres, que o país ainda tem. Nosso país pode ser justo e solidário, como convém aos membros de uma mesma família?
É nisso que acreditamos; e nesta tarefa, todas as pessoas de fé são chamadas a participar com convicção e esperança. Para nós, cristãos e católicos, de modo especial, está claro que a fé não pode ser desvinculada de nossa participação na edificação do mundo, à luz dos valores do reino de Deus. Bom cristão também precisa ser bom cidadão. O ensino social da Igreja traz-nos as diretrizes para traduzir o Evangelho para o nosso viver e agir neste mundo.
Além de cumprir os deveres cívicos, como os demais cidadãos, qual outra contribuição as pessoas de fé podem dar para o bem de um povo? Esta questão mereceria uma longa reflexão, pois nos introduz no próprio sentido da religião, frequentemente questionado. Temos algo de próprio para contribuir para o bem da humanidade e da Pátria. A própria fé em Deus, bem vivida e manifestada publicamente, com as convicções que dela decorrem traduzidas em cultura, é uma contribuição fundamental para o bem comum. A fé bem vivida e testemunhada enriquece o convívio social, de muitos modos.
Quando se dá espaço para Deus, também o homem cresce em importância: sua dignidade, seus direitos e o sentido de sua vida neste mundo são iluminados. Quando se exclui Deus do convívio humano, da esfera privada ou pública, começam a pairar sombras sobre a existência humana e a faltar bases sólidas para os valores e as virtudes e as relações sociais. Ter fé em Deus e manifestá-la abertamente, indo às suas consequências éticas e antropológicas, faz bem à Pátria.
Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 06.09.2011

domingo, 4 de setembro de 2011

Beata Teresa de Calcutá


"Qualquer ato de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz." Mais do que falar e escrever, Madre Teresa vivenciou este seu pensamento. Nascida a 27 de agosto de 1910 em Skoplje (Albânia), foi batizada um dia depois de nascer. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia. Seu verdadeiro nome era Agnes Gonxha Bojaxhiu.
Pouco se sabe da sua infância, adolescência e juventude, porque Madre Teresa não gostava de falar de si própria. Aos dezoito anos, surge-lhe o pensamento da consagração total a Deus na vida religiosa. Obtido o consentimento dos pais, e por indicação do sacerdote que a orientava, entrou, no dia 29 de setembro de 1928, para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, situada na Irlanda.O seu sonho, no entanto, era a Índia, o trabalho missionário junto aos pobres. Cientes disso, suas superioras a enviaram para fazer o Noviciado já no campo do apostolado. Agnes então partiu para a Índia e, no dia 24 de maio de 1931, faz a profissão religiosa tomando o nome de Teresa. Houve na escolha deste nome uma intenção, como ela própria diz: a de se parecer com Teresa de Jesus, a humilde carmelita de Lisieux.Foi transferida para Calcutá, onde seguiu a carreira docente e, embora cercada de meninas filhas das melhores famílias de Calcutá, impressionava-se com o que via quando saía às ruas: os bairros pobres da cidade cheios de crianças, mulheres e idosos cercados pela miséria, pela fome e por inúmeras doenças.No dia 10 de setembro de 1946, dia em que ficou marcado na história das Missionárias da Caridade (congregação fundada por Madre Teresa) como o "Dia da Inspiração", Irmã Teresa, durante uma viagem de trem ao noviciado do Himalaia, depara-se com um irmão pobre de rua que lhe diz: "Tenho sede!". A partir disso, ela tem a clareza de sua missão: dedicar toda sua vida aos mais pobres dos pobres.Após um tempo de discernimento com o auxílio do Arcebispo de Calcutá e de sua Madre Superiora, Irmã Teresa sai de sua antiga congregação para dar início ao trabalho missionário pelas ruas de Calcutá. Começa por reunir um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, a quem começou a dar escola. Pouco a pouco, o grupo foi crescendo. Dez dias depois, eram cerca de cinquenta crianças. Os inícios foram muito duros, mas Deus ia abençoando a obra da Irmã Teresa e as vocações começaram a surgir, precisamente entre as suas antigas alunas. Em 1949, Madre Teresa começa a escrever as constituições das Missionárias da Caridade e a 7 de outubro de 1950 a congregação fundada por Madre Teresa é aprovada pela Santa Sé expandindo-se por toda a Índia e pelo mundo inteiro.No ano de 1979 recebe o Prêmio Nobel da Paz. Neste mesmo ano, o Papa João Paulo II a recebe em audiência privada e torna Madre Teresa sua melhor "embaixadora" em todas as Nações, Fóruns e Assembléias de todo o mundo. Com saúde debilitada e após uma vida inteira de amor e doação (vida esta reconhecida por líderes de outras religiões, presidentes, universidades e até mesmo por países submetidos ao marxismo), Madre Teresa foi encontrar-se com o Dono e Senhor de sua vida a 5 de setembro de 1997. Seu velório arrastou milhares de pessoas durante vários dias.Foi beatificada pelo Papa João Paulo II no dia 19 de outubro de 2003, Dia Missionário Mundial.

Beata Teresa de Calcutá, rogai por nós!

sábado, 3 de setembro de 2011

Regional Norte 2 da CNBB reafirma posição contra a Usina Belo Monte

Reunido em assembleia desde quarta-feira, 31, em Belém, o Regional Norte 2 da CNBB (Amapá e Pará) divulgou hoje uma nota em que volta a condenar a construção da usina Belo Monte, na região do Xingu (PA). Segundo a nota, o projeto Belo Monte coloca em risco a vida de milhares de pessoas.
“Trinta mil pessoas vivem o pesadelo de serem arrancadas de suas casas sem saberem para onde ir. Enormes áreas e plantações são desapropriadas em troca de indenizações irrisórias. Quem resiste é processado judicialmente”, denuncia a nota.
Os bispos do Regional manifestam solidariedade aos povos do Xingu e denunciam “a falta de sensibilidade das autoridades governamentais que não se deixam comover pelo grito de milhares de pessoas angustiadas”.

A assembleia, que reuniu 14 bispos, além de coordenadores, missionários, religiosos, padres, leigos, representantes de pastorais e organismos do Regional Norte 2 da CNBB, num total de 70 pessoas, terminou nesta sexta-feira, 2. O tema do encontro foi “Caminhos  da missão à luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”.

Leia, abaixo, a íntegra da nota divulgada pela assembleia do Regional.
Nota do Regional Norte 2 da CNBB
"Salva o teu povo, abençoa a tua herança!"
(Sl 27, 9)

Há grupos e pessoas que costumam gritar "a Amazônia é nossa", não para defender a incontestável soberania do Brasil sobre esta macrorregião, mas para explorar até a exaustão as riquezas naturais e transformar a terra, as águas e as florestas em mercadoria, objetos de negócio. A família humana perde o direito de viver no lar que Deus criou. É expulsa da terra herdada dos antepassados.

Na região do Xingu, o projeto Belo Monte coloca em risco a vida de milhares de pessoas. Em 1º de junho de 2011, o IBAMA concedeu à empresa Norte Energia S.A. a Licença de Instalação (LI) para construção desta hidrelétrica e declarou que "concluída a análise técnica e elaborado o relatório, todas as quarenta condicionantes estão cumpridas".

Essa afirmação é uma afronta aos povos do Xingu, pois simplesmente não corresponde à verdade. As prometidas ações antecipatórias de saneamento básico em Altamira e Vitória do Xingu não foram realizadas. Providências de infraestrutura absolutamente necessárias no campo da saúde, educação, habitação e segurança pública não foram tomadas. Trinta mil pessoas vivem o pesadelo de serem arrancadas de suas casas sem saberem para onde ir. Enormes áreas e plantações são desapropriadas em troca de indenizações irrisórias. Quem resiste é processado judicialmente. Anuncia-se pelos meios de comunicação que a barragem não afetará os indígenas, porque nenhuma aldeia será inundada. Acontecerá o contrário: aos povos da Volta Grande do Xingu será cortada a água.

Em Altamira, os aluguéis chegam a preços exorbitantes, provocando invasões de áreas urbanas e acampamentos em frente à Prefeitura. É o caos que se instala. A segurança pública é incapaz de debelar a crescente onda de violência. Os acidentes de trânsito se multiplicam de maneira assustadora. Os hospitais estão superlotados. As escolas nem de longe conseguem atender à nova demanda de vagas.

O Governo Federal nega o diálogo, oculta informações, aposta na política do "fato consumado" e passa, qual rolo compressor, por cima da população.

Manifestamos nossa solidariedade com os povos do Xingu e denunciamos a falta de sensibilidade das autoridades governamentais que não se deixam comover pelo grito de milhares de pessoas angustiadas.

Ainda nutrimos a esperança de que o bom senso vença a insanidade de um projeto tão pernicioso para a população e o meio-ambiente e suplicamos ao bom Deus: "Salva o teu povo, abençoa a tua herança!" (Sl 27, 9). Que Nossa Senhora de Nazaré, padroeira da Amazônia, interceda pelos irmãos e irmãs do Xingu!

Belém, 2 de setembro de 2011
Dom Jesus Maria Cizaurre Berdonces
Bispo da Prelazia de Cametá
Presidente do Regional Norte 2 da CNBB

Dom Frei Bernardo Johannes Bahlmann
Bispo da Prelazia de Óbidos
Vice-presidente do Regional Norte 2 da CNBB

Dom Flávio Giovenale
Bispo de Abaetetuba
Secretário do Regional Norte 2 da CNBB